sexta-feira, 15 de junho de 2012

RESENHA CHAPEUZINHO VERMELHO


RESENHA

“O CHAPEUZINHO CONTINUA VERMELHO MAS A HISTÓRIA...”

O vídeo é uma produção feita por Ângela Lago que reescreve o conto Chapeuzinho Vermelho de Charles Perrault.  Ele foi produzido com desenhos que lembram desenhos infantis pintados a lápis de cor e o que mais chama a atenção são os novos elementos incluídos na narrativa tradicional do conto, tais como a chapeuzinho batendo no lobo, o lobo que entra e abraça a vovó, um lobo que lê estórias para a menina, entre outros.

Com esta produção a autora, nos faz repensar o ato de ler, diante das novas tecnologias, pois a mesma parece preocupar-se com as crianças leitores (usuários) dos meios tecnológicos e que, em sua maioria não tem o hábito de ler livro impresso, mas manuseiam com desenvoltura o computador.  Nesse sentido ela inova e surpreende o público trazendo para a linguagem das mídias, uma nova versão de um conto já tantas vezes contado.

            A animação dura mais ou menos 2 minutos e, dificilmente as crianças se contentarão em assisti-lo apenas uma vez, e isso nem seria aconselhável, pois, para uma melhor compreensão da história em si e do conteúdo como um todo, seria bom que eles vissem (e participassem) o vídeo várias vezes, e para tanto, basta o leitor iniciar a apresentação da história e os personagens já se colocam em movimento, prontos para fazer e acontecer dentro da narrativa.

 Porém, isso não é percebido logo, pois o inicio do filme dá impressão de que é apenas o conto Chapeuzinho Vermelho sendo contado mais uma vez, mas o leitor perceberá logo que, o que tem de semelhante é apenas o início, pois o vídeo, assim como o conto, começa  com a mãe chamando a Chapeuzinho e ordenando-lhe a ir até a casa da vovó. Logo a seguir o leitor já percebe que será conduzido e induzido a participar da mesma, tomando decisões sobre o desenrolar dos acontecimentos, fazendo um diálogo interativo com o texto.  Com isso ele tem a oportunidade de ser coautor, podendo fazer inferências apropriando-se de diversos tipos de linguagens.

No entanto, outra coisa que chama atenção é, exatamente, a linguagem que, contrariando o tradicional costume de contar histórias, a linguagem verbal é pouco explorada, pois o único momento em que ela aparece é no título.
Na obra, a autora usa e abusa das combinações de cores, de movimentos e de vários outros recursos e códigos que chamam cada vez mais atenção do leitor e desperta sua curiosidade, convidando-o a fazer escolhas, ativando assim, sua imaginação e sua inteiração com o texto.     
Esta nova maneira de contar a estória parece se apresentar principalmente para passar às crianças ideias de não violência. Ela mostra um mundo onde lobos e crianças podem e devem viver e conviver em paz.  Cabe ao professor permear essa discussão levando as crianças a perceberem a importância de se fazer boas escolhas, pois a história aponta sempre para a personagem e para o leitor (coautor), a possibilidade de escolher entre ir ou não pelo caminho da  floresta, a vida ou a morte para a vovó, e aparecimento ou não dos caçadores.
O vídeo é uma produção de fácil compreensão com requisitos básicos que atende ao público infantil, parece feita de criança para criança e o espectador participa da estória dando vida e movimentos às personagens, como em um jogo de computador. Dessa forma, o vídeo inova, surpreende, encanta e por essa razão pode ser usado como um forte aliado nas aulas, a fim de transformá-las em algo que dinamiza e desperta o gosto pela leitura. Com ele os diversos usos da linguagem podem e devem ser explorados em suas diversas formas e contextos tanto no visual quanto no verbal e sonoro; lendo e interpretando de formas diferentes explorando os elementos que dão vida à historia. É, portanto, a interatividade que faz a diferença nessa nova forma de contar a estória, pois a autora, ao recontar o conto, não aumentou só um ponto, mas vários, abrindo inúmeras possibilidades ao leitor e ao professor que optar por utilizá-los em suas aulas.

Laureci B. L. de Lima

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